Os Três Porquinhos de Paul W.S. Anderson

Pobre daquele que confundir Paul W. S. Anderson com Paul Thomas Anderson, o mesmo que trocar vinho por água poluída. W.S. Anderson é o diretor do último Os Três Mosqueteiros, inspirado no romance de Alexandre Dumas. Contudo, do genial autor francês, sobraram apenas o titulo de uma fracassada tentativa de modernização, equivalente à realizada por Guy Hitchie na série Sherlock Holmes.

A atual falta de criatividade despertou uma latente necessidade de refilmagens de literaturas ou mesmo filmes clássicos na tentativa de atrair uma massa saudosista, apaixonada pelo passado de heróis como Robin Hood, Sherlock Holmes e D’Artagnan. Talvez esse espirito medieval seja uma resposta à overdose de heróis quadrinhescos que saltam de todos os cantos para as telas de cinema.

Seria perda de tempo destacar que o filme de W.S. Anderson usa fórmulas desgastadas em um roteiro pobre, fato evidente na construção dos três mosqueteiros, um forte, outro astuto e outro sentimental, just it! Porthos e Aramis são rascunhos de personagens, coadjuvantes de Athos e do teenager D’Artagnan, jovem que brada pela França até esbarrar na dama de companhia da rainha.

O rei francês afeminado e o cardeal Richelieu (o Pink e o Cérebro) são sombras dos personagens de Dumas. Pobre Christoph Waltz, o fenômeno de Tarantino espera recuperar o prestigio após ganhar muito dinheiro. Pobre espectador que após conferir tamanho fracasso reconhece no final aberto a vontade de construção de uma franquia que amedrontaria o próprio Dumas.

Que W. S. Anderson passe longe do Conde de Monte Cristo ou qualquer história clássica mesmo que a adaptação seja de Os Três Porquinhos!

Melhores do Ano (2011)

Como de costume ao final do ano (disputando lado a lado com a São Silvestre) divulgo a lista com as produções que atormentaram essa pobre alma no período. Tal exercício serve como lembrança e também indicação aos amigos que ainda lamentam a falta de tempo e/ou acesso cultural as mídias aqui apresentadas.

MELANCHOLIA – LARS VON TRIER

O retorno triunfal e não menos polêmico do diretor dinamarquês foi cercado de confusão  após declarações controversas no último Festival de Cannes. Nada, porém, afasta a maestria dessa obra, construção dividida em duas etapas impactantes. Duas irmãs, posições distintas, destinos ameaçados por um planeta chamado Melancholia. Ao final o choque e o já conhecido tapa na cara do espectador.

NICOLAS WINDING REFN – DRIVE

Drive teve a direção nórdica de Nicolas Winding Refn em um estilo noir difícil de ser construído. Categorias técnicas como fotografia, trilha e edição se destacam e acompanham um personagem misterioso, sempre refletido no espelho retrovisor do carro. O personagem de Ryan Gosling não tem a força de um Travis Bickle apesar de executar com primor sua missão. Drive ultrapassa o gênero de ação/suspense pela estilo peculiar adotado. Agora é acompanhar a carreira de Nicolas em Hollywood para saber o quão autoral ele permanecerá.

PEDRO ALMODÓVAR – A PELE QUE HABITO

Pedro Almodóvar parecia batido após a realização de Abraços Partidos. A escolha em adaptar a novela Tarantula para o cinema não poderia ser mais adequada. Enfatizando questões de ordem sexual que sempre acompanharam as produções anteriores, A Pele que Habito é mais um devaneio criativo de Almodóvar. Destaque para a sempre impecável direção de arte e fotografia. Apesar de uma aparente falha final, o roteiro chama a atenção pela trama inusitada. Ponto para o espanhol!

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Os Galhos de Terrence Malick

Quem acompanha o trabalho do diretor Terrence Malick não estranhará a estrutura narrativa de A Árvore da Vida, baseada nos conflitos de uma família cristã norte-americana. Conhecido pela forma poética em tratar suas histórias, Malick aparece como um sujeito reservado, que desenvolve um cinema calcado na beleza e no lirismo.  Em seu último filme, por vezes, a relação entre os personagens enfeita o primeiro plano, constituindo-se apenas como micro cosmo de um plano geral do qual todos fazemos parte. Perdida entre tantas citações, fadada à atritos, o grupo familiar retratado formará um pêndulo, dividido entre o amor materno e a rigidez paterna. No cerne da questão estarão os filhos, representantes de uma jornada ainda desconhecida.

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Lá Vem Trier

Após a primeira projeção internacional, no último Festival de Cannes, Melancolia perdeu lugar à repercussão provocada pelas declarações de seu diretor. Eclipse indevido para um filme dirigido por Lars Von Trier, mesmo que tal obra seja cercada de estranhamento. Talvez por referir-se à um roteiro desenvolvido durante periodo depressivo do diretor e também por ser posterior ao polêmico Anticristo, ainda vivo na memória do espectador.

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Capitão Hollywood

O que esperar de um filme onde o personagem título é uma propaganda ambulante? Pouco, muito pouco. Ingênuo aquele que assiste Capitão América pensando que a veia patriótica americana não pulsará do ínicio ao fim do filme de Joe Johnston. O pulso ainda pulsa, agora em 3 dimensões. Capitão América é produto da Segunda Guerra Mundial, assim como tantos outros, criados para elevar a moral norte-americana. Está registrado, é fato, o primeiro quadrinho denuncia uma chuva de socos e pontapés do América em Hitler, o então vilão. Com a morte do Fuhrer eis que ascende o caveira vermelha, uma mistura de esqueleto (He-Man) e Mun-Ha (Thundercats) agora interpretado por Hugo Weaving, eterno agente Smith. Hugo é um bom ator mas seu personagem é vazio, o eterno conquistador que está disposto a destruir tudo e todos para alcançar um objetivo que sequer o mesmo sabe qual é. Quem melhor para detê-lo senão o rato de laboratório – Capitão América!

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